Rally dos Sertões: uma competição desafiadora

 Rally dos Sertões: uma competição desafiadora

Provas da edição de 2021 ocorrem em agosto e, pela primeira vez, apenas em terras nordestinas

Se você curte aventuras e, ainda, o universo das duas rodas, provavelmente já se imaginou em cima de uma moto potente e versátil, enfrentando contratempos inesperados, que, com certeza, exigem muito do condutor. É exatamente a isso que se expõem os participantes de ralis, que, por motivos nítidos, precisam treinar intensamente para o evento. 

Para surpresa de muitos, o maior rally das Américas acontece em território nacional.  No caso, estamos falando do Rally dos Sertões, um campeonato que engloba carros e motos, disputado no Brasil desde 1993.

Neste ano, foram adotados apenas lugares do Nordeste em seu planejamento, escolha inédita. As nove etapas do evento ocorrem entre 14/8 (sábado) e 22/8 (domingo), partindo do Rio Grande do Norte e finalizando no Maranhão, passando por 7 estados – RN, PB, Al, BA, PE, CE, MA, respectivamente. 

Com nove dias corridos de provas extensas e árduas, o total percorrido em um dia pode chegar a mais de 500 km. Ao final de todas as fases, o participante terá rodado 3524 km, incluindo os trechos de deslocamento (40%) e aqueles cronometrados, cerca de 60%, ou 2200 km.  

Para 2021, a demanda de participação foi tanta que as inscrições foram encerradas antes do prazo e criou-se uma lista de espera. Além da adrenalina, também é um evento caro, já que os veículos devem ser próprios para isso. As equipes que dominam o pódio, como Honda e Yamaha, podem chegar a gastar mais de 200 mil reais ao ano para se preparar.

Por ser uma prova extremamente técnica e longa, não é recomendado que alguém se inscreva sem ter experiência alguma. Mas, caso seja iniciante e tenha interesse, o primeiro passo é se filiar à Federação de Motociclismo ou Automobilismo do seu estado, para então selecionar uma das equipes que fazem apoio durante o Sertões. Mas, para o seu próprio bem, faça alguns treinamentos antes e converse bastante com o staff que estará te auxiliando nos bastidores. 

Outro ponto é que ainda estamos em pandemia, então é uma exigência do evento um teste negativo de covid-19 para todos os participantes. Competidores e equipes poderão usar a hotelaria e restaurantes das cidades anfitriãs, mas sempre priorizando aqueles que exibem o Selo Turismo Responsável, que confirma boa higienização durante o momento delicado atual. 

Quanto aos turistas, o grande público que quer assistir o episódio esportivo anual, devem estar atentos à determinação de cada prefeitura e, claro, protocolos básicos, como o uso de máscaras. 

Acidentes nas provas

De fato, os participantes do Sertões sabem que se trata de um desafio arriscado, mas, antes de realmente viverem a experiência, talvez não tenham noção da proporção dos obstáculos. Isso fica evidente quando estão nas pistas, ou melhor, no designado trajeto – este inclui lama, pedras, galhos, travessias por rios (no caso, o famoso Rio São Francisco) e mais condições inesperadas.

Como consequência dos circuitos perigosos, acidentes são mais propensos a acontecer. As equipes de assistência se encontram super preparadas e atentas para auxiliar com prontidão, tendo em mente que frequentemente um veículo é virado do avesso. Na mesma medida das dificuldades, alguns desses imprevistos são graves ou fatais.

Foi durante a última prova do Rally dos Sertões de 2020 que uma vida foi perdida. Tunico Maciel, bicampeão do Sertões e também duas vezes vencedor do Rali Cross-Country, morreu depois de um acidente grave. O integrante da Honda Racing tinha 26 anos e, enquanto lutava pela vitória, sofreu uma queda drástica em São Luís, no Maranhão.

Tunico Maciel foi inicialmente socorrido por Ricardo Martins, da Yamaha, que venceu o rali, e então por outros 19 pilotos que pararam para prestar auxílio. O atleta foi levado ao hospital de helicóptero, mas não resistiu. Seu corpo foi levado à Minas Gerais, seu estado natal. Sem dúvidas, foi um luto marcante para o esporte a motor brasileiro.

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