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Nova Gasolina é mais eficiente e cara – e obrigatória a partir de Agosto

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) é uma organização do governo federal responsável por regular as atividades relacionadas às indústrias de petróleo. Isso significa que é ela quem estabelece as regras que guiarão a produção e a venda dos derivados do petróleo como a gasolina, usada todos os dias para rodar os carros.

Em janeiro de 2020, a Agência lançou uma resolução (807/20) estabelecendo novas características e especificações para a gasolina comercializada dentro do país. Essas mudanças têm o intuito de melhorar a qualidade do combustível que alimenta os veículos, aproximando suas propriedades às de países da Europa e dos Estados Unidos.

A resolução passa a valer logo no início do mês, no dia 3 de agosto. A determinação é que a gasolina deve ter, a partir de então, uma massa específica mínima de 715 kg/m³ e um número de octanas mínimo de 92 (sendo que antes era 87). Mais adiante, explicaremos o que esses termos significam.

Tudo isso fará com que o preço do litro de combustível se torne mais alto. Ao mesmo tempo, a eficiência também aumentará, o que significa que o carro irá consumir menos gasolina a cada quilômetro rodado.

Vamos entender melhor o que cada uma das determinações quer dizer.

Massa específica mínima de 715 kg/m³

Antes, a Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural determinava que a adição de álcool etílico anidro à gasolina comercializada deveria ser feita até 27% do volume total da mistura. A massa específica mínima da gasolina não estava especificada. Assim, muitos postos adulteravam o combustível vendido, tornando o álcool mais presente do que deveria ser para obter lucro (já que a gasolina é mais cara que o álcool).

A gasolina costumava ter uma massa específica mínima por volta de 700 a 740 kg a cada metro cúbico (ou a cada 1.000 litros), geralmente ficando mais próxima do marco de 700 kg.

Com a nova especificação, o refino do petróleo deve ser feito de tal forma que a densidade seja equivalente a 715 kg a cada m³ (ou seja, 0,715 gramas a cada 1 litro da gasolina comercializada). Com aumento da quantidade de energia em um mesmo volume, acontece um aumento da potência do carro ao rodar as ruas.

Número mínimo de 92 Octanas

Agora vamos ao conceito de octanagem. Esse termo é usado para definir uma propriedade da gasolina, que permite que ela seja comprida a um nível muito elevado sem entrar em combustão – uma capacidade de resistir à pressão que o próprio motor faz nos cilindros.

Pois bem. Dentre os vários elementos que compõem a gasolina, está o heptano, de temperatura de fusão igual a 98,4ºC e valor de octanagem igual a 0. E também há o isoctano, com temperatura de fusão de 99,3ºC e valor de octanagem igual a 100. A partir dessas substâncias é que se cria a base para a escala do índice de octanagem.

Quando se diz que a gasolina tem 92 octanas, significa que ela é composta por 92% de isoctano e 8% de heptano (ou seja, a maior parte de sua composição é de uma substância com resistência à fusão e à combustão). Quanto maior a quantidade de octanas, maior será a capacidade da gasolina de não detonar quando é pressionada.

Se ela não detona e não entra em combustão com facilidade, a temperatura do motor se mantém mais baixa. Isso impede que as peças do motor se deteriorem com facilidade, aumentando sua vida útil.

O quanto a mudança será vantajosa?

A Petrobras deu sua opinião sobre o assunto. Ainda no final de junho, já anunciou que está preparada para produzir essa gasolina em larga escala. Sua diretora de Refino e Gás Natural deu entrevista à revista Auto Esporte explicando que o combustível será mais eficiente e trará maior proteção aos motores de veículos.

Especificamente, a empresa também divulgou um número importante: a economia no consumo de combustível ficaria em torno de 4% a 6%, o que compensaria, em parte, a alta no preço do combustível em si. Ainda não há como prever como os preços irão se comportar, mas é certo que, melhorando a qualidade da gasolina, eles se tornarão mais salgados.

O maior ganho no desempenho e na economia de consumo de combustível acontecerá, provavelmente, em motores fabricados recentemente.

Atualmente, os sistemas de injeção direta de combustível têm sido muito prejudicados pela má qualidade do combustível. Problemas de entupimento são comuns e podem acabar custando bem mais caro. Seja como for, é provável que o aumento no preço da gasolina acabe tornando o mercado do etanol em alta. Afinal, muitos brasileiros podem acabar optando por esse segundo combustível, já que os carros fabricados e vendidos no Brasil costumam ter a opção flex.


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