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KTM, das ruas da Áustria até as do Brasil

KTM, das ruas da Áustria até as do Brasil

A KTM é uma empresa muito bem sucedida e de conhecimento de boa parte daqueles que acompanham o mundo das motos. Quem não ouviu falar delas pelos seus donos, certamente as conheceu pelo universo das corridas.  Isso acontece porque a companhia acumula mais de 260 títulos ao longo desses 60 anos. A KTM é detentora de 96 campeonatos mundiais MXGP, MX1 e MX2 desde 1974 e 114 títulos mundiais E1, E2, E3 e Super Enduro começando em 1990. A organização conquistou 260 títulos de campeonatos mundiais e tem 3 campeonatos consecutivos no AMA Supercross entre 2015 e 2017.

A empresa, que hoje é conhecida por KTM, foi fundada em 1934 por Hans Trunkepolz em Mattighofen, na Áustria. Hans era um engenheiro e mecânico austríaco e abriu uma oficina que, anos depois, passou também a vender motos.  Sua loja passou a ser conhecida como Kraftfahrzeug Trunkenpolz Mattighofen, e carregava no nome três homenagens. A primeira delas vem da palavra alemã que nomeia um veículo motorizado: Kraftfahrzeug. A segunda vem do próprio fundador, com seu sobrenome Trunkenpolz e, por fim, Mattighofen, o nome da cidade em que a marca foi fundada.

Durante a Segunda Guerra, não faltou trabalho pra KTM. A necessidade de conserto dos motores a diesel garantiu o funcionamento da companhia durante esse período. Entretanto com o fim do conflito, a busca pela manutenção desse tipo de motor caiu e o dono da KTM, Hans, precisou dar um jeito.

Neste momento, ele viu a oportunidade de começar a fazer suas próprias motocicletas. No pós-guerra algumas empresas que forneciam para o Terceiro Reich tinham restrições de fabricação, diferente dele, que não tinha restrição nenhuma. Neste cenário Hans fez sua primeira moto no ano de 1953: a R100, que era feita toda de peças sob medida fabricadas por eles próprios com exceção dos motores Rotax, fornecidos por outra fabricante.

A produção das motos R100 começou, em um ritmo tímido, logo após a finalização da primeira R100, com 3 motos completas sendo produzidas diariamente pelas mãos de 20 funcionários. E essa produção, mesmo que modesta, chamou a atenção do empresário Ernst Kronreif, que se tornou grande acionista da empresa no mesmo ano, a sociedade então foi renomeada para Kronreif Trunkepolz Mattighofen. A parceria foi boa e rendeu bons frutos, já que nos dois anos seguintes a companhia lançou 3 novas motos: a R125 Tourist em 1954 e a Grand Tourist e a scooter Mirabell em 1955.

Com o apoio de um empresário a companhia pôde se voltar para o principal meio de se promover. A antiga oficina começou a participar de corridas no ano seguinte a entrada de Ernst, decisão que a faria ser mundialmente conhecida.

A primeira corrida que a KTM venceu foi em 1954, apenas um ano depois da R100 ter sido montada. A estreia foi no campeonato austríaco de 125cc, que inaugurou a onda de títulos. Depois a empresa marcou presença, em 1956, na Six Days Trials, que é a corrida off-road mais antiga aprovada pela FIM, vencida por Egon Dornauer pilotando uma KTM. No ano seguinte a companhia produziria sua primeira moto esportiva que leva o nome de Trophy 125cc, como uma homenagem àquela vitória obtida em 1954 no campeonato de 125cc na Áustria.

Entre 1957 e 1962 foram lançadas outras 4 motos. A mecky, Ponny I, Ponny II e Comet, todas com 50cc. Enquanto as três primeiras eram as preferidas para usar na cidade e no dia a dia, a Comet era a preferida do off-road. Ernst morreu em 1960, e Hans em 1962, o que levou Erich, filho de Hans, a assumir a empresa.

Em 1971, a companhia produzia motos exclusivas para o mundo das corridas e tinha 400 funcionários e 42 modelos diferentes de motos para oferecer. A KTM, então, já era considerada uma referência, pois foi a primeira fabricante a produzir um motor de quatro tempos arrefecido a água, tecnologia que acabou replicada por outros do ramo. Nos anos de 1970 e 1980, a fabricante encontrou uma forma de aumentar sua receita vendendo radiadores para diversas montadoras, inclusive a Suzuki.

A chegada ao solo tupiniquim

No Brasil, a KTM fez uma parceria em um primeiro momento com o Grupo Izzo. Esta associação foi um tanto turbulenta, havia muitas reclamações por parte dos compradores em relação à representante, os protestos em sua maioria tinham relação com a demora de emplacamento e de normalização da documentação.

Depois de um tempo sem saber bem qual seria o futuro da empresa no Brasil, tendo todas suas lojas fechadas, a KTM fez uma parceria com a Dafra, que seria a montadora da fabricante no país, voltando aos negócios só em 2014, depois de dois anos ausente.

Entretanto, em outubro de 2019 a empresa encerrou negócios com a Dafra para começar com a Factory Powersports, cujo sócio é concessionário KTM no interior de São Paulo, bem conhecido por promover competições por meio de sua marca.

Por hora a montagem de produtos da KTM ocorre na linha de produção da planta Dafra, em Manaus. Se especula que há sondagens para nova montadora e concessionárias. Há também planos de trazer novos produtos para o país, mas não se sabe quais ainda. A naked 790 Duke é um exemplo de uma moto que muitos gostariam que chegasse aqui. Resta aguardar.

A dúvida que fica na cabeça é por que uma marca tão forte quanto a KTM não consegue se fazer presente no Brasil. A marca, que já é bem consolidada em outros países, principalmente na Europa, anda encontrando dificuldades de se estabelecer aqui, mesmo já tendo conquistado muitas pessoas. Apesar de tudo uma coisa é fato: por onde ela passa, faz barulho.


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