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Conheça o Homoto – moto clube para homossexuais na Rússia

Enfrentando a homofobia em quesitos jurídicos e sociais, moto clube russo existe exclusivamente para membros LGBT

Se um motociclista gay enfrenta preconceito no Brasil, a situação na Rússia é absurdamente pior. No país estrangeiro, onde apaixonados por motos também são mal vistos, qualquer atividade de apoio à comunidade LGBT+ é estritamente proibida, por lei.

Desde 2012, a legislação implementada em São Petersburgo torna ilegal qualquer ação voltada à “propaganda gay”. Atualmente, em pleno 2021, essa norma é válida na nação inteira, fazendo com que aqueles à favor das relações homoafetivas sejam multados, perseguidos e ridicularizados. 

Diante desse cenário que, por motivos óbvios, pode instalar medo e angústia, surgiu o Homoto, apesar das adversidades. O propósito do moto clube em questão é, além de tudo, estabelecer uma rede de apoio entre os membros. Portanto, não há nenhum ritual envolvido para se tornar membro, nem documento ou, sequer, adesivo. 

Yuri, motociclista homossexual e criador do clube, pontua: “Um clube de motos gay não é como um clube normal ou organizações similares. Você não ganha uma carteirinha de sócio. Se você tem uma moto e se identifica como homossexual, você pode ser um de nós. Na verdade, você já é um de nós”.

O clima da organização é, além de tudo, voltado para uma aproximação entre os integrantes, movidos pela paixão por duas rodas. Como ser LGBT+ na Rússia é, literalmente, uma atividade perigosa, por causa da lei e dos homofóbicos de plantão, o maior foco do grupo é a oportunidade de conhecer pessoas, não o ativismo.

O Homoto não contabiliza membros, justamente por ter essa proposta de ser convidativo, aberto aos que quiserem comparecer. Muitos dos participantes estão na faixa dos 30 anos, com bons empregos, casas, famílias – capazes de sustentar um hobby caro e inusitado na região. Eles se reúnem ocasionalmente na garagem de Yuri, além dos passeios. 

Pode-se dizer que a maioria é homem, e as mulheres costumam andar separadas. Quando questionadas por um jornalista do site Vice, enfatizaram: “O clube é um sistema de apoio. Não somos obrigados a andar juntos sempre”. 

Por mais que não seja o principal objetivo, nos últimos anos, já participaram de alguns protestos. Entretanto, vários membros optaram por não comparecer. Ao comentar sobre essas experiências, Yuri citou um escândalo preconceituoso feito por Milonov, um dos rostos políticos de São Petersburgo. O homem, que gritou e ofendeu os motociclistas, já teve vários vídeos viralizados na internet, com discursos exagerados e sem fundamento, associando gays à doenças.

As ambições do clube são modestas, acentuando mais o hobby e a confraternização. Mas, se quisessem chamar a atenção, não seria muito difícil. Afinal, devido a todas as restrições impostas na Rússia, o Homoto é, até onde se sabe, o único moto clube para homossexuais do país.


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