Apps de entrega: um comparativo

Os aplicativos de entrega se tornaram uma alternativa eficiente para quem busca uma saída para o desemprego, os aplicativos de entrega tiveram uma ascensão rápida nos últimos anos. Impulsionado pela facilidade de pedir refeições no conforto de suas casas, eles cresceram e hoje existem diversos serviços disponíveis no mercado, mas qual é o melhor?

Para o consumidor é subjetivo, pois existem uma variedade de restaurantes, para os mais diversos gostos. Mas e para os entregadores? Recentemente um protesto em massa de quem trabalha com o delivery fez com que os aplicativos parassem por um dia inteiro, os funcionários afirmavam que eram injustiçados.

Os aplicativos

No mercado atual existem três grandes players no serviço de delivery, temos o iFood, o Rappi e o Uber Eats. É impossível circular em uma cidade grande como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte sem notar as bolsas térmicas coloridas nas costas de motociclistas ou bikers.

Para entender qual dos serviços é melhor é necessário analisar quais são as vantagens e desvantagens de cada um. Todas as informações estão disponíveis no site de cada empresa.

iFood

Um dos primeiros aplicativos de delivery a se popularizar no Brasil, o iFood possuí mais de 2 milhões de downloads na loja virtual do Google. Os entregadores devem se cadastrar no app iFood para Entregadores, sem custo algum e o uso das bolsas térmicas e jaquetas é opcional.

Para realizar as entregas podem ser usados carros, motocicletas, bicicletas e patinetes. Segundo o próprio site da empresa, todos os entregadores possuem um seguro para acidentes pessoais, o qual vale para todo o período em que está realizando entregas e na volta para casa – uma extensão de 30km por um período de 1h para carros e motos e 3h para patinetes e bicicletas.

Além disso, a empresa oferece uma espécie de um plano de saúde que cobre consultas médicas e exames acessíveis, com direito a desconto em medicamentos. Outra vantagem destacada no site é um programa de vantagens que oferece descontos em produtos diversos para casa, carro e a família.

Os benefícios não são o principal ponto de um aplicativo de entregas, mas sim os valores por corrida. Em seu site, a empresa afirma que a quantia é calculada por meio de um sistema chamado “valor da rota”, no qual ele analisa o pedido do restaurante, a entrega ao cliente e a distância percorrida.

Os valores variam, pois a empresa leva em consideração o número de pedidos, o perfil da cidade, hora, dia e o tipo do veículo. O valor mínimo é de R$ 5,00 e ainda há um extra caso o entregador esteja longe do restaurante. Eles afirmam também que oferecem promoções que aumentam os valores da corrida.

Em seu site, o iFood afirma que 80% dos seus entregadores ganham mais de R$ 1.300,00 por mês trabalhando 4 horas por dia, isso sem contar as gorjetas. Em seu site não foi informado sobre comissões sobre valores.

Uber Eats

Também com mais de 2 milhões de downloads na loja de aplicativos da Google, o Uber Eats é o app de delivery da multinacional americana Uber. Os deliverys normalmente não são tão diferentes uns dos outros, existe o aplicativo para clientes e o aplicativo para os entregadores, com o Uber Eats não é diferente.

As entregas podem ser realizadas com carros, motos ou bicicletas. A empresa também oferece um seguro para os entregadores, o qual não gera nenhum custo adicional para eles.

O sistema de valores do Uber Eats é baseado na chegada do entregador no restaurante e na residência, considerando o tempo de espera e a distância. A empresa não divulga valores, mas em seu site ela afirma que em algumas cidades o entregador ganha por minuto, ou seja, quanto mais rápido ele for mais ele ganhará.

A empresa cobra uma taxa pelas entregas, segundo o seu site, o valor é para ajudar na manutenção da plataforma e incentivar a inovação. Quando o pagamento é em dinheiro, a taxa de serviço é deduzida mais tarde.

Rappi

O Rappi é um aplicativo colombiano que chegou no Brasil em 2017 e conta com mais de 1 milhão de downloads na loja de aplicativos do Google. Para se tornar entregador é necessário assistir uma palestra e realizar um “curso” online, sem nenhuma taxa.

Em seu site não foi possível encontrar informações sobre algum seguro para acidentes, mas recentemente eles fizeram uma parceria com a CartãoSIM que oferece serviços de saúde para o entregador e sua família. Os primeiros meses são gratuitos, mas depois existe uma taxa.

Os ganhos pelo aplicativo não foram especificados no site, não há muitas informações detalhadas, mas pelo o que foi apurado, o Rappi oferece uma série de promoções para o entregador, as quais dão bônus para eles trabalharem.

A polêmica e os entregadores

No primeiro dia de julho de 2020 ninguém pediu nos aplicativos de delivery, não foi nenhum problema técnico, mas sim uma paralisação em massa. Movidos pela insatisfação do tratamento que os aplicativos davam aos entregadores, foi criado o #BrequeDosApps.

Uma série de reivindicações foram feitas pelos entregadores, o foco principal foi o repasse de pagamentos, pois os valores estipulados eram muito baixos. As manifestações aconteceram nas principais capitais brasileiras.

“Eu estive nas manifestações mais por solidariedade a categoria de apps de delivery, porque hoje, graças a Deus, eu não dependo mais deles para trabalhar. Eu achei justo engrossar o couro com os outros companheiros motoboys”, afirmou Roberto Magalhães, 38, formado em administração, mas trabalha como motoboy atualmente.

Roberto já trabalhou com os três aplicativos de delivery e afirma que é um trabalho perigoso e optou por sair das entregas e trabalhar com clientes fixos por conta da superlotação dos aplicativos.

A entregadora Eduarda Alberto, 24, foi participante do movimento #BrequeDosApps, também em solidariedade aos entregadores de aplicativos. Duda, como gosta de ser chamada, realiza entregas para um coletivo de microempreendedoras mulheres, no Rio de Janeiro.

“Quando comecei a rodar como entregadora, comecei evitando os aplicativos de delivery. Por causa do meu namorado, né? Ele trabalhou com aplicativos de delivery e outros amigos também trabalharam com os apps, quando comecei a rodar eu sabia que não valeria a pena, pelo o que você era recompensado.”

De todas as reivindicações a entregadora considera que o seguro de vida, acidente e roubo, sob a justificativa de que é a única garantia que os entregadores possuem. “Acho que o mais importante é o seguro de vida, acidente e roubo, né? É o que é mais próximo de alguma garantia de direito trabalhista.”

A resposta

Entramos em contato com as três maiores empresas de delivery, porém apenas a Uber Eats respondeu nossas perguntas. A respeito das reivindicações, a Uber afirmou: “É importante esclarecer que as empresas associadas à AMOBITEC não trabalham com esquema de pontuação para a distribuição de pedidos e deixam claro que a participação em atos como a manifestação desta quarta-feira (1/7) não acarretará em punições ou bloqueios de qualquer natureza.”

Quando questionados sobre os aumentos e redução dos valores, a empresa afirmou: “Não houve nenhuma diminuição nos valores pagos por entrega, que seguem sendo determinados por uma série de fatores, como a hora do pedido e distância a ser percorrida.”

O iFood criou uma página no qual traz informações sobre algumas reivindicações, mas não informa de maneira especifica quais medidas serão tomadas. A Rappi não informou nenhuma mudança.


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