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A viagem de moto mais longa da história

A viagem de moto mais longa da história

O argentino Emilio Scotto, com apenas 30 anos, conheceu 214 países a bordo de sua Honda Gold Wing 1100 Interstate

Viajar está na lista de prioridades da maioria das pessoas que desejam viver experiências inesquecíveis em lugares desconhecidos. A tentação de desbravar outros países, conhecer novas culturas e pessoas fez com que o argentino Emilio Scotto deixasse seu país aos 30 anos, pegasse sua Honda Gold Wing 1100 Interstate e viajasse pelo mundo. 

Desde 2009, o fotojornalista e escritor argentino detém o recorde do Guinness para o passeio de moto mais longo do mundo, com duração de 10 anos, passagem por 214 países e totalizando uma distância de 457.000 milhas.

De acordo com uma entrevista concedida ao jornal Clarín, desde menino Emilio sonhava em dar a volta ao mundo, ou como o próprio afirmou, “ir para todos os países onde existem seres humanos”. Assim, em 1985, aos 30 anos, sem informações e sem nenhuma experiência em viagens, Emilio embarcou na maior aventura de sua vida.

A grande viagem teve início em direção ao Uruguai, logo após chegou ao Brasil – conheceu a Amazônia, já que, na época em que realizou a viagem, ainda não havia conexão com a Venezuela e, por isso, ele atravessou a floresta.

De acordo com Emilio, seu principal incentivo sempre partiu daqueles que não conhecia, mas que sempre estavam ali para ajudá-lo: as pessoas que davam combustível, óleo para troca e um lugar para dormir. No entanto, uma viagem intensa como essa também tem seus riscos e o fotojornalista conheceu-os de perto.

Um dos primeiros obstáculos que enfrentou foi a falta de documentação, pois o motociclista carregava somente um papel com o modelo da moto, a placa e a carteira de motorista internacional, que venceu após 12 meses de viagem. 

Completando 12 meses na estrada, Emilio chegou receoso aos Estados Unidos, já que estava com a carteira de motorista vencida e a moto, não nas melhores condições. No entanto, sua entrada no país foi tranquila. 

Nas terras norte-americanas, o fotojornalista conta que sentiu-se dentro de um filme de Hollywood. Na televisão de Nova York, nasceu o nome de sua motocicleta: “Princesa Negra”. 

Graças às doações de telespectadores e a ajuda de uma companhia aérea para atravessar o Oceano Atlântico até a Alemanha, Emilio conseguiu continuar seguindo seu caminho. 

Ao chegar ao Velho Continente, lhe sugeriram ir para o sul, para evitar o inverno. Por isso, ele foi para a Itália para ver Maradona e o camisa 10 argentino pagou a sua estadia por um mês. 

Após passar um tempo com o craque argentino, Emilio seguiu seu trajeto em 1987 pela Espanha, onde encontrou sustento econômico. 

“Levei as fotos que tinha tirado na estrada para uma revista e eles me pediram para escrever sobre minha viagem”, diz o “Google dos anos 80”, conforme definido pelo jornal britânico “The Guardian”.

Após sua inesquecível passagem pelos Estados Unidos, o escritor decidiu partir para o continente Africano. Para isso, foram necessários dois anos para viajar por toda a África. 

“Foi um caos. Peguei malária e quase morri, vivi a guerra no Congo, em 1989, escapei da Somália em um navio cargueiro e os piratas quase nos agarraram”, relatou Emilio ao jornal Clarín.  Finalizada sua desafiadora passagem pela África, o escritor voltou para Europa para reparar a “Princesa Negra” e depois continuou sua viagem em direção à Ásia.

Foi nada menos que na Índia, no Taj Mahal, que ele se casou com Mônica Pino, sua noiva desde 1985, que havia deixado na Argentina e continuaram viagem juntos. Sua turnê continuou através das ilhas do Pacífico até retornar a Los Angeles: “Eu tinha feito apenas 190 países e não ia parar, estavam faltando alguns. Imediatamente eu comecei novamente, mas na direção oposta, pelo Japão”.

Depois da queda da União Soviética, muitas províncias que se tornaram países foram destinos pelos quais Emilio e a “Princesa Negra” passaram. Em um navio de carga, ele percorreu a Islândia, a Groenlândia e o Polo Norte. Então, voltou para o continente americano. 

“Foi o meu nono ano de viagem”, relembra, quando começou a descer para o hemisfério Sul. Começou visitando as 27 ilhas do Caribe, Equador, Peru e Chile, para finalmente chegar ao seu país, depois de passar por 214 países.

“Eu entrei na Argentina através de Mendoza e na alfândega eles retiveram minha moto porque eu só poderia ficar fora do país por um ano e tinham se passado dez”, ele explica. Entre idas e voltas ele recuperou a moto e, longe de ficar cansado, começou a viajar pelo país. 

Em 2 de abril de 1995 ele entrou em Buenos Aires. “Eu fiquei na Argentina por um mês e depois viajei para a Espanha para fazer um fechamento simbólico da viagem naquele país que me deu tanto”, diz ele.

Há vinte anos, o livro Guinness lhe deu o recorde. “Quando eles me chamaram de Londres eu não consegui acreditar. Em 2002, eles me chamaram de ‘Rei da estrada’, diz ele”.

“Quando desliguei a moto, perguntei-me, o que eu faço agora? Já tinha 41 anos e só sabia viajar. Eu tive um colapso”, ele confessa. Depois de vários meses, ele voltou para os Estados Unidos, onde encontrou sua vocação: planejar viagens de aventura em motocicletas. 

Atualmente, mesmo após anos desde sua grande aventura, essa história ainda inspira diversos viajantes a pegarem uma moto e caírem na estrada. 

Para se jogar em uma nova aventura como fez Emilio, basta a ousadia de viver intensamente e claro, nada de manual. Cada viagem é uma experiência única e indescritível, só depende do quanto você se permite vivê-la.


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