A história de Antonio Stoppa, veterano do Abutres Moto Clube

 A história de Antonio Stoppa, veterano do Abutres Moto Clube

Grande nome entre motociclistas, Antonio faleceu em 2021 e deixou memorável legado

Nascido em 1950, Antonio Stoppa foi um grande entusiasta das motos. Conhecido tanto pelo Abutres Moto Clube quanto por sua contribuição no mundo das tatuagens, Stoppa deixa um grande legado.

Motociclista desde os 16, Stoppa foi um grande entusiasta das motos. Aos 19 anos, inspirado após assistir o filme ‘Easy Rider’, Antonio comprou e customizou sozinho uma Jawa.

A moto customizada de maneira idêntica à do filme foi a primeira motocicleta customizada a rodar pelas ruas de São Paulo. Depois do primeiro exemplar, foram fabricadas e vendidas mais de 50 motos customizadas.

Antonio construía as motos do zero: por ter trabalhado como ferramenteiro, ele já tinha as peças necessárias. Alterava motores, guidões, pedais e deixava todas elas com um toque único.

Além disso, também customizou mais de 350 motos em São Paulo e reconhecia praticamente todas elas na rua, mesmo que os proprietários alterassem depois. O piloto chegou até a criar sua própria marca de motocicletas, a “Red River”, nomeada em homenagem ao bairro no qual morou.

O Abutres Moto Clube

Considerado o maior Moto Clube do país, o Abutres foi criado em 1989 e é também o terceiro maior Moto Clube do mundo, tendo sua sede em São Paulo. Antonio participava de eventos de motocross e motocicletas em geral junto com amigos antes mesmo da fundação do moto clube. Cada vez mais marcando presença em eventos, os amigos decidiram fundar o grupo.

Com mais de 4000 membros, o Abutres conta com diversas filiais em todas as regiões do Brasil, além de representantes nos Estados Unidos e em alguns países da América Latina.

O significado do nome vem da ave Abutre, que representa liberdade e soberania através de seu voo. Suas cores, preto e branco, também fazem referência às cores da ave. Sua principal filosofia condena a violência e exalta a irmandade, o convívio do grupo em lazer e ações de caráter social. Empresários, policiais e até juízes fazem parte do Moto Clube, prezando pelo convívio coletivo de diferentes pessoas.

Para ingressar no clube, alguns requisitos são necessários. Entre eles, ser homem, ter mais de 25 anos e ter sido convidado por algum integrante são os principais.

Após o convite, o indivíduo passará por alguns testes para que verifiquem se ele tem a mesma ideologia que os abutres. Mesmo após admitido, o ingresso no grupo continua sendo testado até que se torne oficialmente um parceiro.

Os Abutres também carregam consigo um bordão: o A.S.S.A – Abutres sempre. Sempre abutres –  escudo que pode ser tatuado por membros somente perante autorização da diretoria e alguns anos de casa.

Além disso, caso queira deixar o grupo, há também algumas regras: retirar os escudos de coletes, emblemas das motos, remover tatuagens e nunca mais participar de outro Moto Clube.

Stoppa e o mundo das tatuagens

Antonio fez sua primeira tatuagem aos 28 anos com o primeiro tatuador profissional do Brasil, Lucky Tattoo. Com o desenho de uma moto sobreposta a uma caveira, a tatuagem que significa ‘motociclista até morrer’ virou inspiração para os amigos de Antonio.

De tanto levar os amigos ao estúdio para fazer tatuagens iguais, ele acabou aprendendo a tatuar somente olhando. Assim, ele fez sua própria máquina com um motor de rádio toca-fitas e começou a tatuar em sua oficina.

A procura por suas tatuagens cresceu tanto que Stoppa não tinha mais tempo para a construção e customização das motos. Por consequência, Stoppa decidiu então abrir um estúdio de tatuagem em Santo André, onde morava na época.

Na década de 80, Antonio já tinha vontade de conhecer a ilha de Florianópolis. Assim, deixou a vida em São Paulo de lado vendendo sua loja e uma Brasília e se mudou para Santa Catarina.

Lá, abriu o primeiro estúdio da capital, o Tattoo na Pedra, localizado num terreno comprado pelo mesmo na Barra da Lagoa, que foi transformado em hostel em meados de 2003.

Após muitos anos de trabalho, Stoppa quis desacelerar sua vida e parar de tatuar. Após ensinar e tatuar muitos amigos, o veterano quis viver uma vida mais tranquila, se mudando para o bairro Rio Vermelho. Apesar disso, ele ainda mantinha uma oficina e um estúdio em sua casa para conservar suas paixões.

Além disso, Stoppa realizava diversos trabalhos voluntários: além das arrecadações do Moto Clube, na época de natal Stoppa se vestia de Papai Noel e distribuia lembrancinhas para as crianças da vizinhança. A tradição durou por mais de 15 anos.

Antonio Stoppa contribuiu imensamente para a comunidade dos motociclistas e das tatuagens e será extremamente lembrado por seu legado e por suas motos customizadas de maneira artesanal.

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